Feliz 2012

30 Dezembro 2011

Estamos chegando ao final de mais um ano e entrando agora no ano de 2012, um ano "cabalístico"! Será?

Bem, na minha opinião 2012 será um ano de desafios mas de muitas coisas boas. Acredito também que será um ano de transformação e que, essencialmente, será melhor do que 2011.

E 2011? Foi um ano difícil em muitos aspectos é certo, mas em muitos outros foi um ano muito bom. Agradeço a Deus por mais este ano e espero que 2012 seja um ano ainda melhor.

Como sugestão de mudanças de ano novo, repito as mesmas que escrevi aqui quando 2010 acabou e estávamos iniciando 2011:


  • Coma o suficiente e de forma saudável.

  • Compre igualmente o suficiente e de forma saudável.

  • Doe sangue pelo menos duas vezes por ano.

  • Encontre pessoalmente aquelas pessoas legais com quem você sempre conversa pelo Twitter e Facebook.

  • Vá mais ao cinema e ao teatro.

  • Namore mais e valorize mais quem está com você há tantos anos.

  • Cadastre-se como doador de medula óssea no REDOME.

  • Ande mais descalço.

  • Ajude sempre que possa mas também ajude de forma rotineira. Há muitas formas de fazer isto, desde adotar uma criança em uma ONG a vestir-se de palhaço uma vez por mês para visitar um hospital infantil.

  • Sorria mais e sempre seja gentil.

  • Faça paradas para meditar ou rezar.

  • Invista no tempo com seus filhos. Brinque mais com eles, de preferência, sentando no chão com eles.

  • Seja um doador de órgãos - e avise isto a sua família.

  • Cante, dance ou aprenda um instrumento. Música é vida.

  • Agradeça mais.

  • Troque vícios. O que é gasto com cigarros por dia, pode ser gasto, por exemplo, em pães e biscoitos que podem ser entregues nos sinais da sua cidade. Ajudar também vicia, mas parece-me melhor.

  • Aprenda a dizer "não" para que você controle o seu tempo e não o contrário.

  • Esteja efetivamente presente e não apenas de corpo presente nos momentos da sua vida.

  • Produza menos lixo.

  • Faça uma lista dos bons amigos e familiares queridos da sua vida. Escolha dois por semana e telefone-lhes, começando por aqueles grandes amigos com quem você não fala há anos.

  • Leia mais.

  • Conheça seus vizinhos.

  • Escute discos antigos e veja os álbuns de fotos que estão guardados. Mas escute coisas novas também.

  • Se você ainda os tem vivos, fale mais com seus pais.

  • Cuide da sua saúde.

  • Evite falar mal dos outros.

  • Tenha outras metas ou atividades diferentes do seu trabalho "padrão". Escrever um livro, plantar mudas de plantas na cidade, dedicar-se a um esporte ou ter uma atividade artística podem ser idéias interessantes.

  • Não se aborreça no trânsito.

  • Periodicamente analise o que você tem e doe o que puder.

  • Tente viver com o que você ganha. Se sobrar algum dinheiro, viaje!

  • Não viva como se fosse morrer amanhã, mas não custa nada pensar como as pessoas vão lembrar de você caso isso ocorra. Afinal, o que você está plantando nas almas da sua companheira(o), filhos e amigos?

  • Caminhe mais.

  • Trabalhe, tenha idéias, empreenda e inove.

  • Conheça mais a sua cidade.

  • Tenha sonhos.


Eu falhei em muitos pontos e em todos posso melhorar. Ano-novo é para isto mesmo!

Feliz 2012 para você também!

Artigo e entrevista no site InvestNE

25 Novembro 2011

Este mês tive a feliz oportunidade de ter um artigo de opinião e também de ser entrevistado pelo site InvestNE. Nas duas situações foi para falar sobre o mercado de trabalho na área da tecnologia de informação.

As publicações podem ser conferidas nos links abaixo:


Motorcycle Driver

22 Outubro 2011
Mais uma da série "gravações caseiras" e outro tema do mestre Joe Satriani. Este tema, "Motorcycle Driver" foi gravado no excelente disco "The Extremist". Muitas músicas incríveis e esta não fica atrás.

Instigado pelo amigo Márcio Holanda, resolvi fazer esta homenagem personalíssima ao Satch, inspirada pelo original mas sem ser necessariamente um cover.

Foi gravada com minha querida Ibanez RG, em linha, via iPad / Garageband, em "tiro único" sem edições. Pode ser conferida aqui e mais uma vez as minhas desculpas aos fãs do Satriani!

Odeon

Continuando na série "gravações caseiras" e no momento "bandolim acompanha bandolim", segue uma versão pessoal de bela Odeon, de Ernesto Nazareth. Esta música, um chorinho, originalmente um tango, foi composta por Ernesto Nazareth em 1910, em homenagem ao antigo cinema Odeon, localizado na Cinelândia, no Rio de Janeiro.

Foi imortalizada pelo mestre Jacob do Bandolim, recebeu letra de Vinícius de Moraes e foi gravada por Nara Leão. Recentemente também foi gravada por Fernanda Takai.

Esta minha singela e falível homenagem ao grande Ernesto Nazareth foi registrada em gravação em linha, via iPad / Garageband, em duas linhas de bandolim gravadas em "tiros diretos", sem retoques e sem outros acompanhamento. É bandolim com bandolim e está aqui.


Como eles conseguem?

19 Outubro 2011
Ao longo dos últimos anos, temos visto um conjunto de licitações (editais, contratações públicas) que têm sido vencidas por empresas que apresentam preços completamente absurdos, impraticáveis. Algumas licitações de desenvolvimento de software têm sido vencidas com preços à volta dos R$ 350,00, R$ 300,00 - ou menos - por "ponto de função". Há editais com resultados de R$ 260,00, R$ 220,00 ou menos o ponto de função!

O ponto de função é uma medida que permite calcular, através de um procedimento de cálculo padrão, o "tamanho" de um software, independentemente da sua tecnologia. Não é uma medida de esforço, mas de tamanho. Para tentarmos traduzir esta medida em uma média de esforço, a literatura (e a prática) diz que para produzir o equivalente a um ponto de função utilizando a linguagem Java, gastamos uma média de 15 a 20 horas-homem (com casos para mais). Vamos partir destes valores para esboçar o raciocínio.

Considerando a produtividade de 15 horas, poderíamos dizer que a hora "média", de preço de venda, de uma empresa que vende o ponto de função de desenvolvimento de software por R$ 345,00 é de R$ 345,00 / 15 horas = R$ 23,00 / hora média (preço de venda!!). Vi uma reportagem esta semana mostrando guardador de carro cobrando de R$ 50,00 a R$ 150,00 (!!!). Crítico não é? Mas pode piorar, veja abaixo.

Lembre-se que R$ 23,00 é o valor BRUTO por hora trabalhada. É possível imaginar que a hora média de uma empresa que desenvolve software seja de R$ 23,00? Lembre ainda que esse valor deverá pagar:
  • Os impostos;
  • O time que irá trabalhar diretamente na construção do software;
  • O time de apoio - gerentes, qualidade, área administrativa, estagiários, suporte, equipe comercial;
  • A estrutura: posto de trabalho, hardware, software, links, espaço de trabalho, ...
  • Custos inerentes à produção do software: treinamento, gaps entre atividades, retrabalho, garantia do software, erros, férias do pessoal, faltas, ...
  • Custos de apoio: viagens (caso o cliente não esteja na cidade onde o fornecedor está), deslocamentos, atrasos de pagamento, demoras de aprovação, reuniões de acompanhamento, ...
  • O retorno da operação para os acionistas.

Considerando todos esses cálculos, você rapidamente vai chegar à conclusão que um profissional desta empresa teria um salário médio de R$ 1.100 - R$ 1.200, totalmente FORA da realidade, ainda mais como salário MÉDIO. Lembrar que estou exemplificando com um valor de ponto de função de R$ 345,00 e há situações MUITO PIORES!!! Com um ponto de função há R$ 260,00 (vi na semana passada) o valor da hora média vai para R$ 17,00... E ainda há pior...

Moral da história, esta empresa vencedora desta licitação não vai entregar o serviço que lhe foi contratado, o cliente/governo vai ser prejudicado, os profissionais serão prejudicados, o mercado será prejudicado, enfim, todos saem prejudicados!!! E isto vindo do governo, que além do tradicional papel regulamentador, também poderia exercer - e de que maneira! - o papel de fomentador do desenvolvimento.

É necessário que seja compreendido este problema existe - que fica mascarado debaixo da "economia do pregão" e que não leva em conta os prejuízos das contratações ruins - e que sejam discutidos procedimentos de compras saudáveis, que obviamente não devem deixar de lado o princípio da economicidade, mas que também não permitam (nem incentivem!) que os vencedores de contratações públicas acabem por realizar práticas negativas ao mercado, ao poder público e aos profissionais que fazem parte da equipe da própria empresa. Com práticas mais saudáveis de compras, certamente que os órgão públicos teriam resultados melhores nos seus contratos de TI, o que se refletiria em benefícios e melhores serviços para o cidadão comum.

Medidas simples como a demonstração de exequibilidade do valor ofertado pelo vencedor, uma análise detalhada do nível técnico das empresas, a análise de contratos anteriores da empresa vencedora, a análise dos salários do quadro de funcionários da empresa vencedora e um registro de empresas (e de seus sócios) que deliberadamente praticam dumping de preços, proibindo-as e proibindo-os de repetir o ato, já poderia dar um freio a este ôba-ôba. Há bons exemplos de contratação que poderiam ser analisados e difundidos para outros órgãos. Igualmente importante é discutir o formato de contratação dos serviços (fábrica de software em ponto de função faz mesmo sentido?) e o poder de desenvolvimento do governo (que tal pontuar empresas locais ou consórcios que envolvam empresas locais?).

Com a adoção de medidas como estas nós teríamos o poder público contratando um pouco melhor, de forma mais eficiente e, volto a dizer, de forma mais saudável.

O mercado e os profissionais de TI agradeceriam.

Cryin - Joe Satriani

06 Outubro 2011

Continuando nas minhas gravações do tipo "tiro único", segue mais um tema do Joe Satriani, agora o belo tema melódico "Cryin'" do disco "The Extremist".

Gravado direto, em linha, guitarra, Gt8, Garageband (iPad2). Simulação de amp é do Garageband.

Que os fãs do Satch não me levem a mal! A gravação está aqui.

Cool#9 - Joe Satriani

05 Outubro 2011
O grande Joe Satriani é um dos mais importantes guitarristas de todos os tempos. Virtuoso e excelente compositor, possui temas fortes e também melódicos, além de um timbre belíssimo e uma técnica irreprensível. Gosto de várias músicas e, claro, é uma influência importante para quem gosta de uma guitarra bem tocada!

Arriscando-me imensamente, coloquei uma backtrack do tema Cool#9 e fiz uma singela homenagem a este artista. É claro que não sou o Satriani (longe...) e também não fiz um cover. É uma interpretação pessoal baseada no tema original!


Gravei de forma direta (perdoem as falhas), em take único, utilizando mais uma vez o GarageBand no meu iPad. Estou cada vez mais satisfeito com este equipamento! A guitarra foi plugada na GT8 e esta no GarageBand. Desta vez utilizei o simulador de amplificador do próprio GarageBand (faz parte das experimentações!). Especificamente usei o simulador de "Marshall", da foto ao lado, quase para Clean, e o drive veio da GT8.

A gravação está aqui. Satch (e fãs do mesmo) perdoem-me a petulância!

** Atualização em 22.10.2011 - Mesma gravação, só que com volumes balanceados

Noites Cariocas

22 Agosto 2011

Noites Cariocas é um dos chorinhos mais clássicos - e dos mais belos - composto pelo genial Jacob do Bandolim. Foi composto em 1957 e até hoje é um dos mais executados, fazendo parte do repertório da maior parte dos bandolinistas brasileiros.

Em mais uma das minhas experiências com o iPad e com o GarageBand (como falei em outro post), registro aqui uma versão bastante pessoal desta música.

Nesta gravação, sem retoques ou maior zelo, o bandolim é o único instrumento, tanto no solo quanto no acompanhamento, fugindo ao tradicional acompanhamento de violão. Mais uma vez destaco a extrema praticidade e portabilidade! Na foto o "estúdio portátil" no sofá de casa - bandolim ligado diretamente no iPad via iRig.

Claro, é só uma experiência. Que o mestre Jacob me perdoe...

Primeira experiência com o GarageBand no iPad

16 Agosto 2011
Hoje resolvi fazer minha primeira experiência no software GarageBand, da Apple, no iPad2 e gostaria de compartilhar como foi esta primeira brincadeira.

Sem maiores enrolações, é muito simples! Para começar, não deixa de espantar a quantidade de recursos que um software de 4,99 dólares (este é o preço) pode ter.

Outro ponto, como padrão nesta plataforma, é tudo muito simples, intuitivo, poderoso e de qualidade. Gravar um instrumento real ou um instrumento virtual é simples e divertido. Fiz uma primeira gravação, para testar, sobre uma pequena sequência harmônica. Levei 30 minutos (!!!) e incluí: uma guitarra base (real); um baixo (GarageBand); um sintetizador (GarageBand); uma bateria (GarageBand); uma guitarra acústica (GarageBand) e uma guitarra solo (real).

Dicas e comentários:
  • Para conectar a guitarra ao iPad2 eu utilizei o iRig, da Amplitube. Custa uns 30 dólares (nos Estados Unidos). O iRig permite você conectar o instrumento ao iPad e ainda conectar o headphone;
  • Não consegui ainda (usei pouco talvez) ver grande utilidade para os modos Chord (acordes prontos) dos Smart Instruments do GarageBand. Não há como modificar os acordes, portanto o melhor é partir para tocar os instrumentos mesmo (fiz assim neste exemplo);
  • A qualidade dos sons dos baixos, baterias e teclados do GarageBand impressionam bem (principalmente quando lembramos o preço);
  • O GarageBand tem embutido um multitrack recorder para até 8 trilhas, portanto bem satisfatório para brincar e registrar idéias;
  • Não utilizei a conexão "Guitar Amp", que aparentemente é capaz de processar a guitarra, substituindo amplificadores, pedais e efeitos. Para este exemplo, as guitarras reais foram gravadas utilizando um Boss GT-8 e utilizei o módulo "Audio Recorder" que permite gravar em linha / microfone qualquer coisa no GarageBand. Depois farei experiências com o módulo "Guitar Amp";
  • O monitoramento ao vivo do que se está tocando, no Audio Recorder, tem baixíssima latência e é tranquilo de ser utilizado;
  • É certo que outros softwares (Cubase, N-Track Studio, ...) têm muitos recursos de gravação, mas a avaliação aqui tinha por objetivo "o conjunto da obra": plugar, tocar e gravar - e funciona!

O exemplo está AQUI. É curto, só uma sequência para testar o uso do conjunto software/iPad/iRig.

Vou fazer novas experiências, com músicas inteiras, e compartilharei os resultados. De qualquer forma, a primeira impressão é muito boa e, principalmente, descomplicada!

Message to a Friend

15 Agosto 2011
A belíssima canção "Message to a Friend" é de Pat Metheny, um dos maiores músicos de todos os tempos. Ela está registrada no álbum "I Can See Your House From Here" - de 1994, onde Pat convidou John Scofield, outro incrível guitarrista, além de Steve Swallow no baixo e Bill Stewart na baterial - assim como também está no álbum "Beyond the Missouri Sky" - de 1997, disco espetacular, que fez com o baixista Charlie Haden.


Tem que ter muita cara de pau para executar uma canção do Pat, mas, sem compromisso, presto uma singela homenagem a este guitarrista do qual sou fã. Pode ser conferido aqui.


A gravação é singela. Guitarra única, em linha no PC, um tiro só, direto no software N-Track.

Sobre filhos e cidadania - um paralelo através da educação

16 Junho 2011

Não sou pedagogo, mas dou um duro danado para educar meus filhos. Leio, experimento, pratico e faço tudo para que eles cresçam educados. Também ao longo de 40 anos de idade, vividos aqui e acolá, também tive a experiência de ver algumas sociedades, diferentes e ao mesmo tempo com tantas similaridades com a nossa. Baseado nisto é que pretendo aqui traçar um paralelo entre filhos e cidadania, usando como elo de ligação a educação.

O que isto quer dizer? Bem, ao longo da minha experiência como pai (e observador de outros pais e mães), concluí que não se pode educar uma criança sem quatro coisas extremamente importantes e dependentes entre si: informação, regras (ou limites), exemplo e, se necessário, punições (não falo de castigo físico ou castigos de forte apelo psicológico ou humilhantes - bater ou constranger não é educar!)

A informação é aquilo a que muitas vezes resumimos incorretamente a palavra "educação". Informação é dizer o que é certo ou errado. Falar, mostrar, contar, ensinar. A criança tem que ouvir, ver e ler sobre o que deve ou não fazer, ok? As regras (ou rotina ou ainda limites) é aquela parte onde pais dizem a hora certa de fazer as coisas, o que fazer na mesa, as boas maneiras, a hora certa de dormir, a hora de estudar, o limite do vídeogame, enfim, estas coisas. E regras são regras, devem ser aplicadas sempre e não quando dá vontade (todo pai sabe que não adiantam regras que só existem às vezes - isto não educa ninguém, muito ao contrário). O exemplo, terceiro pilar da educação, é dos mais importantes e muitas vezes negligenciado. Não adianta que um pai diga para o filho que ele deve ser educado ou que deve comer bem, se ele, pai, só come bobagem, dá grito nas pessoas, coloca o dedo no nariz dentro do carrro, esbraveja no trânsito ou ainda, dá mostras diárias como "ser esperto para se dar bem". Criança faz o que vê, não o que escuta, ok? Se tudo falhar - e apenas neste caso poderia ser correto aplicar - uma punição correta e de acordo com o erro deve ser aplicada. Hoje em dia alguns pais não querem mais punir (ou "dar limites") mas isto é tema para outro post... Bem, o ato de punir (sem qualquer violência constrangimentos ou humilhações), para uma criança informada, que sabe as regras e que tem exemplos, mas que ainda assim fez coisas erradas, muitas vezes é o último - e não menos válido - artifício. Após um erro grave, deixar sem brincar com os amigos durante uma tarde ou não brincar de vídeogame é algo que faz parte da educação e que deve ser aplicado de forma reta e sem dúvidas - a criança precisa saber que se falhar a tudo, a punição certamente virá.

Na minha visão, a prática cotidiana e sem interrupções destes quatro princípios (aliado a uma enorme leveza, amor incondicional, disponibilidade dos pais e muita brincadeira) é a base de uma criança educada. Ah, e isto passa entre gerações! O irmão mais novo de uma criança educada, rapidamente aprende o certo e o errado. Assim como o irmão mais novo de uma criança sem limites, rapidamente entende a "manha da casa" e, sem dúvida, será uma criança igualmente sem limites.

Pois bem e o que isto tem com cidadania? Explico. Uma sociedade cidadã, com indivíduos cientes do que é o papel de um cidadão, também precisa destes quatro pilares, pelo menos na minha visão.

Uma sociedade cidadã precisa de informação, acesso a escolas, faculdades, computadores, institutos, parques e museus. Precisa de acesso a saber sobre o que é o bem e de como vale a pena fazer o bem. Igualmente, uma sociedade precisa de regras - o que comumente chamamos de Lei - que deve ser igual para todos, que todos devem conhecer e que deve normatizar a vida comum de todos. Em terceiro lugar, uma sociedade também precisa de exemplo. Cargos hierarquicamente mais altos nas empresas devem dar exemplo a quem está nos cargos mais baixos. Gestores públicos devem dar exemplo, de correção, de adequação às regras, para todos aqueles que os elegeram e que estão sob a sua administração. Uma sociedade, tal como uma criança, é extremamente sensível ao que vê. Por fim, uma sociedade também precisa de punição, sempre que os outros pilares estejam sendo executados e sejam quebrados por práticas ofensivas. Isto significa que quem faz o errado deve ser punido, na medida certa, com ampla defesa, claro, mas de forma direta - sem escolhas, aleatoriedade ou pontos de fuga.

E nós, no Brasil? Somos hoje uma criança bem educada?

Nós vivemos em um ambiente onde a informação, apesar de todas as evoluções dos últimos anos, ainda é privilégio de poucos. Ainda vivemos em um meio onde ensinar que o bem compensa é quase "careta" e cada vez mais falar do "bem" parece distante dos principais meios de divulgação de informação de massa. Por outro lado as regras não são o nosso forte. Somos o país da "lei que não pega" e mesmo para as "que pegam", valem para poucos. Construções desordenadas, ocupação indevida de espaços, rejeição a qualquer tipo de regras (do condomínio ao clube), práticas de abuso ao consumidor e ao cidadão comum, além do pouco respeito (aliado ao desconhecimento) à Lei, fazem parte do nosso cotidiano. Não é bom, mas vejo assim. Além disso, a cultura do exemplo está desaparecendo. Chefes, donos, gestores públicos ou privados, enfim, toda sorte de pessoas que chegaram em postos mais altos, muito ao contrário de serem bons exemplos, tornam-se maus exemplos de que "estão acima do poder das regras" e fazem o que querem - de errado, claro! Por fim, a punição em nossa sociedade é aleatória, para poucos, ineficaz e, em largo espectro, sem efeito. Um exemplo rápido sobre isto. Você sabia que em nossas cidades não existem policiais em todas as esquinas? Pois é, em nenhum país do mundo tem. Ora, se é assim, por que aqui faz medo andar nas ruas e em outros lugares não? Alheio às complexidades naturais da pergunta, não posso deixar de achar que é porque o criminoso joga com duas probabilidades - a de ser apanhado e a de ser punido caso apanhado. A depender do grau de policiamento no local em questão, a primeira probabilidade - ser apanhado - pode ser baixa ou muito baixa, em qualquer lugar do mundo. Mas a segunda - ser punido se apanhado - em sociedades avançadas será alta, claro! No Brasil, ambas as probabilidades são baixas! Aqui é difícil ser apanhado e mais, muito mais difícil ainda, ser punido, logo...

Como será o comportamento de uma criança que não recebeu a informação do que é correto, ignora regras, não tem exemplos e não é punida quando faz as coisas erradas? Pois é, somos hoje uma criança, um país jovem ainda, claro, mas repleto de problemas de educação como sociedade.

Será difícil consertar em algumas décadas estes problemas, mas precisamos - todos juntos, afinal isto não é um problema só "do governo" - correr atrás do prejuízo!

Calçadas em Fortaleza

16 Janeiro 2011

Às vezes quebradas, outras inadequadas, por vezes inacessíveis e não raro, inexistentes, a verdade é que as calçadas de Fortaleza estão longe de ser o que a nossa cidade tem de melhor.

Certa vez lancei um desafio no Twitter considerado "impossível" pela minha timeline que seria encontrar um quarteirão em Fortaleza com calçadas, sem lixo e sem buracos. Difícil, hein? E se considerarmos ainda que a caminhada precisa ser segura...

É pena, afinal vivemos em uma cidade bonita e agradável, que não deveria sofrer com este tipo de situação.

Em artigo intitulado "Circular pela cidade", a revista Vida Simples mostra que o problema é de âmbito nacional e que não é só um problema dos governantes: é nosso. Leia-o neste link.

O blog "Inventário Ambiental de Fortaleza" também tem bons artigos sobre o tema:

O fato é que todos nós, como sociedade, precisamos debater mais esta questão, trazendo para a discussão não só aspectos de gestão pública mas também a modificação da postura do cidadão, visto que as ações individuais de cada um têm reflexo no resultado final de toda a sociedade. Afinal, qualquer obra ou reforma é razão para que calçadas - ou mesmo faixas de ruas - sejam fechadas. Sem falar no lixo, que é colocado nas calçadas sem a menor cerimônia.

Tudo isto em conjunto com a aparente falta de planejamento dos espaços públicos e com a lentidão na correção de problemas, agravado pela ineficiência da fiscalização - que deveria ser feita ativamente por órgãos do governo e pelo próprio cidadão - tornam nossas ruas qualquer coisa que possamos imaginar, menos um local agradável para caminharmos.

Ano novo de novo - e que seja realmente novo!

03 Janeiro 2011
E 2011 começou. Há quem diga que é bobagem essa coisa de ano novo, afinal é apenas uma convenção, para um dia normal como os demais.

Será? Não creio. Certo que é uma convenção, mas a energia e a força que a data nos permite, não pode ser desprezada! Quando, em que outro momento do ano, prometemos "mundos e fundos" para nós mesmos e nos sentimos tão bem a desejar "tudo de bom" para outra pessoa? E com que tamanha força, visto que todos estão transmitindo esta mesma energia? Pois é, só no ano novo.

Este ano, de forma a sair do lugar comum das promessas que todos fazem (mais tempo, emagrecer, ...), parei um pouquinho para refletir e proponho uma lista de coisas que todos nós poderíamos prometer a nós mesmos em 2011. Claro que o que importa não é relacionarmos os itens, mas mudarmos nossa atitude para que o ano seja, de fato, novo.

As minhas sugestões são:
  • Coma o suficiente e de forma saudável.
  • Compre igualmente o suficiente e de forma saudável.
  • Doe sangue pelo menos duas vezes por ano.
  • Encontre pessoalmente aquelas pessoas legais com quem você sempre conversa pelo Twitter e Facebook.
  • Vá mais ao cinema e ao teatro.
  • Namore mais e valorize mais quem está com você há tantos anos.
  • Cadastre-se como doador de medula óssea no REDOME.
  • Ande mais descalço.
  • Ajude sempre que possa mas também ajude de forma rotineira. Há muitas formas de fazer isto, desde adotar uma criança em uma ONG a vestir-se de palhaço uma vez por mês para visitar um hospital infantil.
  • Sorria mais e sempre seja gentil.
  • Faça paradas para meditar ou rezar.
  • Invista no tempo com seus filhos. Brinque mais com eles, de preferência, sentando no chão com eles.
  • Seja um doador de órgãos - e avise isto a sua família.
  • Cante, dance ou aprenda um instrumento. Música é vida.
  • Agradeça mais.
  • Troque vícios. O que é gasto com cigarros por dia, pode ser gasto, por exemplo, em pães e biscoitos que podem ser entregues nos sinais da sua cidade. Ajudar também vicia, mas parece-me melhor.
  • Aprenda a dizer "não" para que você controle o seu tempo e não o contrário.
  • Esteja efetivamente presente e não apenas de corpo presente nos momentos da sua vida.
  • Produza menos lixo.
  • Faça uma lista dos bons amigos e familiares queridos da sua vida. Escolha dois por semana e telefone-lhes, começando por aqueles grandes amigos com quem você não fala há anos.
  • Leia mais.
  • Conheça seus vizinhos.
  • Escute discos antigos e veja os álbuns de fotos que estão guardados. Mas escute coisas novas também.
  • Se você ainda os tem vivos, fale mais com seus pais.
  • Cuide da sua saúde.
  • Evite falar mal dos outros.
  • Tenha outras metas ou atividades diferentes do seu trabalho "padrão". Escrever um livro, plantar mudas de plantas na cidade, dedicar-se a um esporte ou ter uma atividade artística podem ser idéias interessantes.
  • Não se aborreça no trânsito.
  • Periodicamente analise o que você tem e doe o que puder.
  • Tente viver com o que você ganha. Se sobrar algum dinheiro, viaje!
  • Não viva como se fosse morrer amanhã, mas não custa nada pensar como as pessoas vão lembrar de você caso isso ocorra. Afinal, o que você está plantando nas almas da sua companheira(o), filhos e amigos?
  • Caminhe mais.
  • Trabalhe, tenha idéias, empreenda e inove.
  • Conheça mais a sua cidade.
  • Tenha sonhos.

Enfim, viva bem, de bem e para o bem.

Feliz 2011!

Canal no YouTube

20 Dezembro 2010
Com algum atraso, lanço um canal no YouTube, para compartilhar meus vídeos favoritos e também alguns que, espero, tenha tempo para fazer e publicar (coisa para diversão, claro).

Para quem curte Beatles, Pink Floyd, Pat Metheny, Bill Frisell, Queen, Chico Buarque, Armandinho (o bandolinista, ok?), Eric Clapton, ou seja, de tudo um pouco, de rock a chorinho, o lugar é lá. Apareça para fazer uma visita. Espero que goste.





Amizade, tecnologia e distância

24 Setembro 2010
Amizade é um sentimento incrível. Um verdadeiro amigo - é lugar comum - não tem preço. Aquela pessoa que está com você, que te entende, que às vezes não concorda em tudo, com quem podemos até discutir, mas que, na hora "H", está sempre ali. Seja para rir, chorar ou apoiar.

Pois é, mas a amizade precisa ser alimentada, afinal, é difícil sobreviver apenas no papel.

Existem alimentos para a amizade dos mais diferentes níveis. As redes sociais, o Skype, o e-mail e o Twitter, entre outros tipos de conexões, são bons alimentos. Contudo, só deles é difícil sobreviver uma amizade. É fato que para os amigos que estão realmente distantes, em outras cidades ou países, estas conexões tecnológicas têm grande impacto e são fundamentais para que a amizade não se perca nos quilômetros e fusos horários. Ainda assim, existem ferramentas melhores para a amizade do que outras. Para um amigo distante, um call no Skype (de preferência com uma webcam) alimenta muito que uma mensagem no Facebook.

Mas... e aquele super-amigo que mora na sua cidade? Aquele de inúmeros momentos comuns, que está nas suas fotografias, que anda meio distante. Está vendo-o pouco, não é? Ah, mas você fala com ele eletrônicamente! Sei. Troca aquelas piadas por e-mail, alguns tweets e alguns scraps? Entendo. Mas, e jogar conversa fora ao vivo? Ir em casa, tomar umas, ver o futebol, ver fotos antigas, tocar violão, jogar algo, sair para ver um show? E o velho e bom telefonema, hein?

Às vezes não dá. Sei como é.

A correria do cotidiano é assim. Atropela-nos e faz com que até saibamos que estamos sentindo falta de falar com alguém mas acabamos nos convencendo que "agora não dá" - e deixamos para amanhã. E fica para depois. Usando ainda as conexões virtuais - que são ótimas, ok? - como "muleta", acabamos nos enganando dizendo que "estamos todos no Facebook", "ela me segue no Twitter" ou "mandei um SMS". Legal, mas... e aquele abraço? Como faz?

As ferramentas tecnológicas são incríveis para diminuirem as distâncias físicas existentes mas, se mal usadas, podem trazer novas distâncias, que se adicionam à distância real (que às vezes não é tão grande assim). A ferramenta tecnológica mais antiga é a televisão, que, se mal usada, pode distanciar um casal que está sentado lado a lado no sofá.


Não deixe isto acontecer com aquele seu amigo que não está tão longe assim.

Vá lá, pegue o telefone e agende algo presencial, com abraços e boas risadas. Estes momentos ficarão na memória muito mais vivos do que o melhor dos "tweets".




MB é aficcionado por tecnologia, redes sociais, Twitter, SMS, celular, internet, mas é igualmente apaixonado por risadas e pelo seus amigos. Está em fase de "auto-vigília" para não deixar que a correria do cotidiano e esse ferramental tecnológico torne-o menos presente para os amigos.