Ser espírita: presente e passado

24 Fevereiro 2008
Muito interessante este artigo extraído do Jornal O Povo.
O original está aqui.

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Ser espírita: presente e passado
Marcos José Diniz da Silva
Jornal O Povo - 24.02.2008

Quando, hoje em dia, as pessoas com muita facilidade e, até mesmo certo charme (!), se dizem espíritas; quando vão às livrarias ou bancas de revistas e compram livros e revistas espíritas, alguns deles best sellers; quando lêem que os adeptos do Espiritismo reúnem os brasileiros de melhor nível escolar, os de maior renda, os maiores leitores; quando vão à Mostra de Teatro Transcendental com temática de base essencialmente espírita; na maioria das vezes não sabem o quanto custou para que essa liberdade se tornasse tão real e seu usufruto tão tranqüilo e consolador. Então, vem a pergunta: E ontem, no tempo de nossos avós e bisavós, como eram vistos os espíritas? Como os espíritas viviam sua crença?

Para Allan Kardec (professor Hippolyte Leon Denizard Rivail), ser espírita, na perspectiva moral, é ser verdadeiramente cristão, é trabalhar incessantemente para o domínio de nossas más inclinações, ou seja, pelo auto-aperfeiçoamento. Todavia, essa prática não encerra a questão, pois envolve uma identidade espírita na vida social. Isso porque, independentemente de nossas crenças, estamos vinculados a uma sociedade mais ampla, a condicionamentos culturais, políticos e ideológicos. Assim, ser espírita no Brasil de hoje é estar imerso numa história de lutas, de idealismos, de perseguições e de vitórias, de tantos que abraçaram essa causa, arcando com as conseqüências de desfraldar a bandeira das idéias novas.

Essa história começa oficialmente na década de 1860, no Brasil imperial, mais exatamente, na Bahia, em 1865, quando Luís Olímpio Teles de Menezes funda o 1º centro espírita brasileiro: o Grupo Familiar de Espiritismo. O Espiritismo, recém-chegado, como mais uma novidade francesa, representava a aurora da fé racional, embasada cientificamente no experimentalismo, com forte acento positivista. De prática restrita, pelo caráter literário e em língua estrangeira num país de analfabetos, restringiu-se inicialmente às experimentações, grupos de estudo e oração.

Com o advento da República, instaura-se uma normalização jurídica (Código Penal de 1890) que criminaliza as práticas espíritas como sortilégio, magia e charlatanismo (prática ilegal de medicina). No ano seguinte, a Constituição de 1891 declarava a liberdade religiosa e de crença. Desse modo, enquanto o Espiritismo se popularizava e institucionalizava no Brasil, seus praticantes equilibravam-se num fio de navalha. Embora respaldados na Constituição como livres em suas crenças, eram perseguidos pela polícia, pelos médicos e pela religião dominante, como criminosos por suas práticas mediúnicas de receituário, mesmo que homeopático, por suas curas espirituais, etc.

Sua popularização foi crescente, envolvendo as camadas populares sempre carentes de amparo, não apenas espiritual, mas também médico e material. Proliferavam os centros espíritas e acorriam as populações, e do contato deram-se as releituras e adaptações, muitos comuns nos contatos culturais. Entre perseguições policiais, prisões e processos judiciais, disseminava-se o conhecimento espírita nos meios populares levando a um sincretismo com elementos das religiões africanas, católica e indígena que, na década de 1920, daria origem a uma nova religião: a Umbanda.

Nesse ínterim, por pressão e influência da intelectualidade espírita, da FEB, da imprensa e até dos meios policiais, cristalizou-se uma distinção social entre os praticantes do espiritismo. As práticas mediúnicas mais próximas da umbanda, sem bases doutrinárias kardecistas e sem o aval da FEB, eram taxadas de baixo-espiritismo ou falso-espiritismo, coisa inferior que deveria contar com vigilância policial para evitar distúrbios.

Para fazer funcionar uma instituição espírita nesse contexto de toda a primeira metade do século XX, era necessária autorização policial, tal com se exigia das "casas de diversão". Mas isso não impedia, muitas vezes, o praticante de sofrer com as pilhérias, ironias e ataques verbais dos vizinhos, retaliações do patrão de outro credo ou mesmo da acusação de degenerescência mental. Não foram poucos os espíritas que perderam emprego, ou que viram as portas fecharem-se ao seu pedido de serviço, quando se sabia de sua crença.

Essa realidade não mudou muito até as décadas de 50 e 60 do século XX. Houve até agravantes, como durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945), quando Vargas mandou fechar todos os centros espíritas do país. Parecia um retorno à religião oficial... Mas nem tudo era desalento. De Minas Gerais emergia uma nova força para o Espiritismo.

O médium Chico Xavier tornava-se conhecido nacionalmente na década de 1930, impulsionando a difusão das idéias espíritas pela psicografia e pelo trabalho de assistência social de base caritativa. Sua vida e obra davam novo referencial em termos de fenomenologia mediúnica, produzindo maior vinculação do Espiritismo com a história e a cultura brasileira. Cristalizava-se a predominância do aspecto religioso no seio do espiritismo e seus compromissos com a tradição cristã brasileira, exemplificados na obra psicográfica Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (1938), atribuída ao Espírito (do escritor) Humberto de Campos.

Da década de 1950 em diante, a urbanização, industrialização e profundas alterações nas relações sociais, promoveram significativo impacto nas práticas religiosas Consolidavam-se as novas religiões, como espiritismo, protestantismo, umbanda, numa relação de concorrência com o catolicismo predominante. Desfaziam-se gradualmente os preconceitos em direção ao estabelecimento da tolerância mútua e do exercício pleno dos direitos religiosos, que agora desfrutamos.

Assim, através de uma longa jornada de embates legais, negociações, atos de resignado heroísmo e de muita convicção de tantos brasileiros que aceitaram e defenderam a nova crença, podem hoje, os postulados espíritas, proporcionar mais uma importante alternativa espiritualizante à cultura brasileira, no momento em que se completam 150 anos de sua aparição no mundo.

Marcos José Diniz Silva é espírita, professor de História na Uece-Feclesc e doutorando em Sociologia pela UFC

Sobre limitações, tempo e família

18 Fevereiro 2008
Muitas vezes sinto-me cansado, com aquela bruta sensação de falta de tempo para as coisas importantes. Acho que poderia atender melhor meus clientes, falar melhor com minha equipe, ter mais tempo para os meus alunos, ter um tempo mais organizado para rezar e telefonar mais para meus irmãos e meus pais. Isto para não falar naquela enorme vontade de ter tempo para organizar meus livros, discos, fotos, emoldurar quadros, organizar lembranças de viagem ou simplesmente ficar em repouso, na varanda vendo a rua.

A sensação de tempo curto para tudo o que quero fazer aflige-me bastante, tira-me o sono e muitas vezes dá uma grande angústia pela enorme vontade de coisas que quero fazer. Isto para não falar nas coisas que quero ouvir e quero ler, fora o tempo para dedicar-me mais às guitarras e violões. Ah, se o tempo fosse mais elástico.

Contudo, o que mais dói a qualquer executivo é a enorme sensação de falta de tempo para a família - leia-se, esposa e filhos.

Lendo o artigo publicado na Revista IstoÉ deste mês (veja aqui) percebo que esta sensação é comum - e crítica - no cenário executivo brasileiro. Felizmente, pelo menos para mim, dentre todas as coisas que precisam ser feitas - ou que quero que sejam feitas - meus filhos e minha esposa estão sempre em primeiro lugar, sem qualquer parâmetro de comparação. É claro que a angústia de sentir-me distante, principalmente em períodos críticos no trabalho, sempre acaba batendo também à minha porta, mas pelo menos eu sei - e tento praticar - que eles têm a total prioridade sobre tudo.

Acredito vivamente que ter tempo para brincar com os filhos, dar-lhes banho, sentar no chão, cantar, rir, contar estórias, ensinar-lhes ou simplesmente ficar agarrado com eles olhando o céu, devem ser a prioridade de qualquer pai. Este tempo é finito, rápido e limitado. Não pode ser desperdiçado. Igualmente acredito que é fundamentalmente importante ter o tempo devido e prioritário para namorar, rir, curtir e fazer planos com sua esposa. Infelizmente muitos só percebem isto quando já é passado tempo demais, e o tempo não volta...

Para mim a lógica é simples: se não for para curtir prioritariamente a vida com a família, para que servem as longas horas no escritório e os problemas do nosso cotidiano profissional? É claro que trabalhar é muito bom, senão como conseguiríamos dedicar mais de 12 horas por dia para os nossos negócios? Apenas não podemos esquecer do que realmente é importante.

Obs: sei que preciso arranjar tempo para a SAÚDE, caminhadas, etc.etc. Estou tentando...

Livrando-se dos pequenos aborrecimentos

10 Fevereiro 2008
Muitas vezes ao longo dos dias somos apanhados com pequenos problemas ou pequenas necessidades, que conflitam com outras pequenas necessidades ou anseios das pessoas que nos rodeiam. Muitas vezes este conjunto de pequenas coisas se confrontam, levando ao clássico quadro da "tempestado em um copo d'água".

Existem técnicas, modelos mentais e outras firúlas que podem ser realizadas para evitar tais situações. Alguns livros sugerem técnicas como "pensar na relevância do problema quando passado um ano" ou outras dicas de modelo semelhante. Algumas vezes estas idéias funcionam, noutras nem tanto. A verdade é que mesmo todo mundo sabendo que não vale a pena, grandes zonas de conflito surgem por coisas tolas e inúteis - e na maioria dos casos entre pessoas que se querem muito bem!

Sem basear-me em grandes modelos mentais, acredito que a simples observação acompanhada dos reais sentimentos de empatia e de compaixão são o melhor remédio.

É simples. Antes de se aborrecer por qualquer pequena besteira do dia-a-dia, a simples observação pode lhe trazer à memória que existem outras pessoas - provavelmente muito próximas de você - que estão com problemas reais. Mais anda, esta observação pode virar ação quando através da empatia você buscar internalizar o sentimento do outro e através da compaixão (por favor, compaixão não é sinônimo de "pena"), você de fato se coloque no lugar do outro e busque formas de ajudá-lo. É simples e eficiente.

Nos últimos tempos, muito próximos a mim e a minha família,vi filhos ainda moços que se foram, tios que nos deixaram, pais que deixaram filhos, doenças que se instalaram e até amigos que tiveram a vida levada em frente ao portão.

Agora recentemente, estamos na luta real para que tudo corra muito bem para um grande amigo nosso cujo o filho pequeno de três anos está com leucemia. Estamos com muita fé e confiantes que tudo vai dar certo (aproveito para agradecer a todos que estou rezando pelo nosso amigo Artur!).

Pense bem e veja se em relação a situações como estas que relato cima ou em relação a tantas outras que vemos diariamente, faz sentido aborrecermo-nos com as pequenas coisas??? Não será melhor agradecermos diariamente por tudo o que temos, sorrirmos e irmos em busca de ajudar a quem realmente está com problemas grandes? Acredito vivamente que sorrindo sempre e ajudando, vivemos melhor e ficamos mais preparados para eventuais situações realmente sérias que podem ocorrer. Afinal, evitar energia negativa nos pequenos aborrecimentos e acumular energia positiva sorrindo e fazendo o bem, parece ser uma boa forma de levar uma vida saudável e de fazer uma "poupança" para situações reais de emergência futura.

Com atraso, mas finalmente no MySpace





Pois é, com algum atraso, estou agora no MySpace. Diferentemente deste espaço aqui, onde são tratados (?) diferentes temas, o MySpace é apenas relativo às atividades musicais.

Está no menu acima ou ainda por aqui. Visite!